Porque é que a pele precisa de mais cuidados no verão?
Aproveitar o sol no verão exige cuidados redobrados com a pele. O sol intenso, o calor e a transpiração constante podem alterar o equilíbrio natural da pele, e a exposição excessiva à radiação ultravioleta (UV) pode causar queimaduras solares, manchas, desidratação e envelhecimento precoce, além de aumentar o risco de cancro de pele, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Por isso, os bons cuidados de pele no verão assentam em três pilares: hidratação, limpeza suave e proteção solar, o que inclui escolher horários mais seguros para estar ao ar livre. Neste guia, explicamos cada um deles com base nas recomendações das autoridades de saúde.


Hidratação: a base dos cuidados de pele no verão
O calor e a exposição solar aumentam a perda de líquidos, pelo que a Direção-Geral da Saúde (DGS) aconselha aumentar a ingestão de líquidos, de preferência água ou sumos de fruta naturais sem adição de açúcar, e evitar bebidas alcoólicas e com muito açúcar. A fruta e os legumes frescos também ajudam. Saiba mais sobre a importância da hidratação no verão.
A pele é o maior órgão do corpo e funciona como uma barreira protetora. Não é verdade que tudo o que coloca na pele passa para a corrente sanguínea, embora alguns ingredientes possam ser absorvidos em pequenas quantidades: um estudo clínico publicado na revista JAMA detetou filtros de protetores solares no sangue dos participantes, e os autores sublinharam que estes resultados não significam que se deva deixar de usar protetor solar.
Os ingredientes dos protetores solares são seguros na UE?
Na União Europeia, o Regulamento (CE) n.º 1223/2009 exige que os cosméticos sejam seguros para a saúde humana em condições normais de utilização, e os filtros UV só podem ser usados se constarem da lista autorizada (Anexo VI). Quando surgem dúvidas, o Comité Científico da Segurança dos Consumidores (SCCS) reavalia os ingredientes e as regras são atualizadas:
- Parabenos: alguns são autorizados como conservantes dentro de concentrações máximas, enquanto cinco parabenos sem dados de segurança suficientes foram proibidos em 2014.
- Benzofenona-3 (oxibenzona): na sequência do parecer do SCCS, os limites foram reduzidos em 2022 para 6% nos produtos para o rosto, as mãos e os lábios e 2,2% nos produtos para o corpo.
- Homossalato: desde 2022, só é autorizado em produtos para o rosto, até 7,34%.
- Octinoxato (metoxicinamato de etilhexilo): consta da lista de filtros UV autorizados, até 10%.
Ou seja, estes ingredientes não são “tóxicos” tal como são usados nos protetores solares vendidos na UE: são regulados e permitidos dentro de limites de segurança. Se tiver a pele sensível ou reativa, a Academia Americana de Dermatologia (AAD) sugere protetores solares indicados para pele sensível, sem fragrâncias, parabenos ou oxibenzona, ou apenas com filtros minerais (óxido de zinco e dióxido de titânio).
Como hidratar a pele no verão
Para a hidratação externa, escolha hidratantes adequados ao seu tipo de pele, de preferência sem fragrância. Segundo a AAD, o ácido hialurónico é conhecido pelas suas propriedades hidratantes intensas, e os produtos com aloé vera podem ajudar a acalmar a pele depois da exposição solar.


Proteção solar no verão: como, quando e porquê
Cuidar de si começa pelas escolhas que faz ao sol. Prevenir as queimaduras solares é muito melhor do que tratá-las, e os danos nem sempre se notam de imediato: segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a vermelhidão surge 3 a 5 horas após a exposição e atinge o máximo entre 8 e 24 horas depois.
Tenha cuidado também nos dias nublados. A radiação UV pode ser elevada mesmo com nuvens, e pode apanhar um escaldão sem sentir calor.
Como escolher e aplicar o protetor solar
- Escolha um protetor solar com FPS 30 ou superior, adequado à idade e ao tipo de pele, como recomenda a DGS.
- Confirme que também protege contra a radiação UVA: a Recomendação 2006/647/CE da Comissão Europeia indica que os protetores solares devem ter uma proteção UVA de pelo menos um terço do FPS, e o símbolo “UVA” dentro de um círculo indica que o produto cumpre esta norma europeia.
- Aplique-o generosamente antes de sair: o FPS é medido com 2 mg/cm², cerca de 36 g (seis colheres de chá) para o corpo de um adulto, e reduzir a quantidade para metade pode diminuir a proteção até dois terços.
- Volte a aplicar de 2 em 2 horas e depois de nadar, transpirar ou se secar com a toalha.
- Não se esqueça de zonas sensíveis como o nariz, as orelhas, o pescoço, os ombros e o peito dos pés.
O FPS (Fator de Proteção Solar) mede sobretudo a proteção contra as queimaduras solares, causadas principalmente pela radiação UVB: compara a dose de radiação UV que avermelha a pele protegida com a que avermelha a pele desprotegida. Ainda assim, o protetor solar não deve servir para prolongar o tempo ao sol, mas apenas para limitar os danos.


Como evitar a exposição solar excessiva no verão
UVA e UVB: ambas são prejudiciais
A radiação UV que nos chega é sobretudo UVA e UVB. Segundo a Comissão Europeia, a UVB é a principal causa das queimaduras solares e o principal contributo para o risco de cancro de pele, mas o risco da UVA não pode ser desprezado, e a UVA causa também o envelhecimento precoce da pele. É por isso que um bom protetor solar tem de proteger contra ambas.
Também não é correto dizer que os protetores solares de supermercado só protegem contra a radiação UVB. Os critérios europeus aplicam-se aos protetores solares independentemente do local de venda, pelo que o importante é ler o rótulo (FPS e símbolo UVA), e não a loja onde o compra.
O protetor solar impede a produção de vitamina D?
A radiação UVB estimula a produção de vitamina D, mas uma revisão de especialistas internacionais concluiu que o uso de protetor solar na fotoproteção diária e recreativa não compromete a síntese de vitamina D. A OMS refere que basta expor o rosto, as mãos e os braços duas a três vezes por semana, durante cerca de metade do tempo que levaria a queimar, e o IPMA explica que o tempo necessário é tão curto que não é preciso fazer banhos de sol.
Se tiver dúvidas sobre os seus níveis de vitamina D, fale com o seu médico antes de alterar os hábitos de exposição solar ou de tomar suplementos.
A que horas deve evitar o sol?
A DGS recomenda evitar a exposição solar entre as 11h e as 17h, e o IPMA salienta que a radiação UV é mais forte entre as 11h e as 16h, porque o sol está mais alto. Por isso, não existe uma “hora ideal” para apanhar sol ao meio-dia: o início da manhã e o fim da tarde são mais seguros. Uma regra prática: quanto mais curta for a sua sombra, mais intensa é a radiação UV.
Antes de sair, consulte a previsão do índice UV no site do IPMA. A OMS recomenda medidas de proteção a partir de um índice UV de 3.
Barreiras físicas: porque deve combinar várias
Nas horas de maior risco, as barreiras físicas de proteção solar são essenciais: sombra, roupa que cubra a pele, chapéu de abas largas e óculos de sol que bloqueiem 99 a 100% da radiação UVA e UVB. Segundo o IPMA, a roupa adequada é a melhor proteção para a pele.
Ainda assim, nenhuma medida protege a 100% por si só. A areia e a água refletem a radiação UV, pelo que um guarda-sol reduz a exposição mas não a elimina, e nenhum protetor solar filtra toda a radiação UV. A melhor estratégia é combinar sombra, roupa, chapéu, óculos de sol e protetor solar.


Cuidados com a pele depois do sol no verão
Depois da exposição solar, a pele pode ficar mais seca, vermelha ou sensível. A AAD sugere banhos ou duches frescos e secar a pele com pequenos toques. Para remover o protetor solar, use água e um produto de limpeza suave e sem fragrância, aplicado com as mãos ou com uma esponja macia.
Evite a água quente e nunca esfolie a pele com escaldão. Depois, aplique um hidratante ou um produto pós-solar: os que contêm aloé vera ou soja podem ajudar a acalmar a pele, e vale a pena beber mais água.
Se tiver um escaldão, o NHS aconselha a não usar vaselina nem gelo e a não rebentar as bolhas. Encontra mais conselhos no nosso artigo sobre como tratar queimaduras solares.
Alimentação e água depois de um dia de sol
Uma alimentação variada contribui para a saúde em geral, incluindo a da pele. A OMS recomenda comer pelo menos 400 g de fruta e legumes por dia, e opções como frutos vermelhos, uvas, citrinos, legumes de folha verde-escura e tomate facilitam essa variedade.
Quanto à água, o mais importante é beber o suficiente ao longo do dia. Se prefere água filtrada em casa, conheça as nossas soluções de purificação de água; se bebe água hidrogenada, também conta para a sua ingestão diária de líquidos.


Quando deve consultar um médico por causa da pele?
Muitas vezes, um escaldão pode ser tratado em casa, mas alguns sinais justificam aconselhamento médico. Segundo o NHS, procure ajuda se:
- a pele tiver bolhas ou estiver inchada;
- tiver febre alta ou arrepios;
- se sentir muito cansado, tonto ou maldisposto;
- tiver dor de cabeça ou cãibras musculares;
- o escaldão afetar um bebé ou uma criança pequena.
O NHS recomenda também consultar um médico se notar um sinal que mude de tamanho, forma ou cor, que doa, faça comichão, esteja inflamado ou sangre, ou uma marca nova na pele que não desapareça ao fim de algumas semanas. Em Portugal, pode contactar o seu médico de família ou a linha SNS 24.
Cuidados de pele no verão: o essencial
- Evite o sol entre as 11h e as 17h e procure a sombra.
- Use roupa que cubra a pele, chapéu de abas largas e óculos de sol com proteção UV.
- Use protetor solar com FPS 30 ou superior e proteção UVA, aplique-o generosamente e renove-o de 2 em 2 horas.
- Depois do sol, limpe a pele com suavidade, hidrate-a e não esfolie a pele com escaldão.
- Beba água ao longo do dia e faça uma alimentação variada, rica em fruta e legumes.
Prevenir as queimaduras solares e o envelhecimento precoce da pele é uma das escolhas mais inteligentes que pode fazer. É a sua pele e a sua saúde: cuide delas!
Perguntas frequentes sobre cuidados de pele no verão
Os protetores solares vendidos na UE são seguros?
Sim. São produtos cosméticos que têm de ser seguros em condições normais de utilização, e os seus filtros UV têm de constar da lista autorizada pela legislação europeia, com limites máximos revistos com base nos pareceres do SCCS.
O protetor solar causa falta de vitamina D?
Em pessoas saudáveis, a evidência indica que não: o uso normal de protetor solar não compromete a síntese de vitamina D, e bastam exposições curtas para a produzir.
Pode apanhar um escaldão num dia nublado?
Sim. A radiação UV atravessa as nuvens e pode continuar elevada, por isso a proteção solar continua a ser necessária.
De quanto em quanto tempo deve voltar a aplicar o protetor solar?
De 2 em 2 horas e sempre que sair da água, transpirar muito ou se secar com a toalha.
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Por Equipa de Especialistas Filtrarte
A informação contida neste artigo não se destina a recomendar qualquer tratamento de sintomas ou doenças. Consulte o seu médico para aconselhamento especializado.









